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 Sistemas de Zonas - O melhor caminho para Exposição Correta

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Ranyere Nobrega
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Registrado em: Sexta-Feira, 23 de Janeiro de 2004
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MensagemEnviada: Dom Ago 07, 2005 10:23 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

O SISTEMAS DE ZONAS


Introdução

"O Sistema de Zonas é um método fotográfico desenvolvido pelo fotógrafo norte-americano Ansel Adams no final dos anos 30, em conjunto com Fred Archer. A sua idéia era bastante simples e inovadora: serializar a luz! Isto é posto em prática estabelecendo relações entre os vários valores de luz do sujeito e as correspondentes densidades registradas no negativo. Um conjunto de técnicas oferece ao fotógrafo a possibilidade de registrar no negativo e posteriormente no papel fotográfico valores de luz desejados pelo fotógrafo perante o sujeito fotográfico..."

Na natureza podemos encontrar uma variação de brilhos muitos maiores do que os filmes têm capacidade em fixá-las. A capacidade dos filmes negativos em registrar tons fica restrita a 10 tons diferentes que vão

Do preto até o branco da base do papel. Esta diferença de amplitude de tons pode ser contornada com a utilização do sistema de zonas. Este sistema consiste em compreender todas as características dos materiais fotográficos e manipular estas características a fim de se produzir uma "representação realista" da imagem. Além desta virtude de facilitar o registro de uma imagem de uma maneira mais completa, este sistema possibilita a criação de uma imagem de acordo com a interpretação de cada fotógrafo, já que conhecendo todas as características do processo temos condições de manipular a produção desta imagem. Para cada efeito desejado para satisfazer uma opção estética devemos saber como alterar o processo padrão para causar este efeito.

A primeira fase deste método de trabalho é a Visualização: processo mental e emocional envolvido no ato de criação de uma fotografia. Pode-se dizer que é a habilidade de se antecipar à imagem final em branco e preto, antes de fotografá-la.

O controle das características do processo fotográfico é o que permite que o fotógrafo crie.

Para isso, é fundamental a compreensão e utilização de cada controle individualmente. Deve-se evitar todo tipo de automação, não só das câmeras, mas também dos processos e tempos fornecidos pelos fabricantes já que estes dados são obtidos pela média tornando impossível a busca de resultados acima da média se permanecermos fixos apenas aos tempos médios fornecidos.

O conceito de zonas

A definição de zonas foi estabelecida de uma maneira metodológica, já que o filme reproduz uma infinidade de tons de maneira linear. O espectro tonal do filme foi dividido em dez zonas e para cada uma destas zonas foi atribuída uma definição de como ela deveria ser representada na ampliação final. Vamos simplificar o conceito original de Adams da seguinte forma:

-2.5 - Puro preto
-2 Preto, com detalhe mínimo
- 1.5- Próximo do preto, com alguma textura mas sem definição
-1.0 - Cinza bem escuro, primeira zona escura com definição completa
-0.5- Cinza escuro
0- Cinza médio
+0.5- Cinza claro
+ 1.0 - Cinza extremamente claro, esta é a última zona com definição completa.
+ 1.5 - Branco, esta zona apresenta ainda alguma textura.
+ 2.0 - Branco sem textura.
+ 2.5 - Branco puro.

Para compreender melhor esta escala, fotografe uma placa de Isopor Branca. Fotometre, procurando sempre manter o fotômetro em 5.6 e variando a velocidade. Exponha corretamente seguindo fielmente a leitura do fotômetro. Obteremos assim o Valor 0 (Cinza médio 18%).

Agora, é só abrir +0.5 ponto (entre 5.6 e 4). Desta forma obteremos o cinza claro.
Abrir um ponto, vais ter o cinza Claro, abrindo mais um ponto, terás o Branco real, com a textura do Isopor.
Agora partindo da Leitura Normal do Fotômetro (Cinza Médio) feche um ponto.
Terás o cinza escuro, em seguida, feche mais um ponto, terás o preto com textura.
Este é o fundamento básico de Ansel Adams! Simples, não?
Agora, se der algum problema , teu fotômetro deve estar descalibrado.

Sempre expomos o filme com a fotometria que aparece na zona V, que é também o cinza médio usado pelos fabricantes para calibrarem os fotômetros e filmes. Para toda esta situação acima descrita foi considerado uma velocidade fixa e uma revelação normal.

Como foi descrito anteriormente temos que dominar todo o processo e também definirmos o tempo de revelação normal adequado ao filme que se deseja utilizar. O que na realidade fazemos é testarmos o filme de modo que ele reproduza as zonas como foram descritas. Antes de descrever como se efetua este teste, vamos apresentar algumas características importantes do processo que a partir de agora devem ser encaradas como ferramentas para manipulação do processo.

A revelação é a principal ferramenta para a definição das zonas claras. Para cada ganho de densidade no filme, responsável por um aumento de uma zona clara temos apenas um aumento de 1/3 de zona na região das zonas escuras. Na prática isto representa que em um filme com revelação normal de 10 min. se revelado por 12 min. provavelmente uma região exposta como zona VII subirá para VIII enquanto nas regiões escuras a variação irá ser desprezível.

Com a revelação afetando principalmente as zonas claras resta à exposição definir as zonas escuras, pois quando desejamos uma dada região na zona III devemos assim expor, caso contrário para movermos uma região previamente exposta como zona II para III pela revelação fatalmente estaremos elevando uma região de zona VI para IX.

Existem outros fatores que influenciam a determinação de zonas que serão expostos mais adiante. Com estes dois fatores já apresentados podemos usar uma definição feita por Minor White logo após aprender com o próprio Ansel Adams como utilizar o zone system :

Expor para as luzes baixas e revelar para as luzes altas.

O sistema de zonas não serve apenas para representar um assunto fotografado da maneira mais realística possível, com este método é possível representar uma determinada região com qualquer zona, dependendo da interpretação desejada. Para isto teremos de manipular o filme através de sub-revelações ou super-revelações. Quando fazemos o teste do filme determinamos uma revelação normal ( N ), a partir deste tempo determinamos os outros tempos de revelação para deslocarmos uma zona clara para mais clara ( N+ ) ou para mais cinza (N -). Costumamos representar uma revelação que desloca uma zona para mais como N+1, deslocando duas zonas N+2, etc. O mesmo acontece para menos. Estes tempos devem ser determinados via teste.

Teste de Zonas

O teste descrito abaixo é uma das maneiras de se testar um filme. Neste teste visamos determinar o tempo de revelação normal com sua respectiva agitação e a "ISO" do filme.Determinar a "ISO" do filme é simplesmente fazer uma correção de exposição para obter duas coisas: (1) Cinza médio padrão usado pelos fabricantes no fotograma da zona V e (2) que apareça a imagem descrita para esta zona no fotograma destinado à zona III.

O teste deve ser feito utilizando um objeto branco que possua uma textura e se possível algum volume tal como uma toalha branca felpuda. Esta toalha deve ser colocada em um lugar que receba uma luminosidade constante, pode ser um dia ensolarado sem nuvens ou uma iluminação artificial uniforme com correção de temperatura de cor para luz do dia caso o seu teste seja para fazer fotos externas. Caso vá utilizar este método sob luz de tungstênio faça o teste com esta luz, pois os filmes respondem de maneira diferente para diferentes espectros de luz.

Após posicionar a câmera e as luzes faça uma medição e ache a velocidade para a abertura que se encontra no meio da escala da sua objetiva, ou seja, caso sua objetiva vá de f/2 a f/16 ache a velocidade para f/5.6. Esta medida representa a zona V e a partir desta zona construa uma escala para expor os outros fotogramas variando a velocidade somente nos extremos da escala. A escala abaixo é um exemplo tomando como base uma velocidade 60:

No caso do teste temos que expor cada zona com o valor de abertura e velocidade correspondente a cada uma para que tenhamos as diferenças de densidade. É aconselhável colocar um cartão com o número da zona correspondente para facilitar a identificação após a ampliação e expor os fotogramas em ordem.

Com um filme de 36 poses expor três séries considerando para cada uma delas uma ISO diferente (sugestão: 160/ 200 /250) e deixar uma ponta virgem para a determinação do tempo padrão de exposição.

Após a exposição revelar o filme escolhendo um revelador que geralmente diluído proporciona um tempo de revelação recomendado pelo fabricante maior que 10 min. Este tempo recomendado pode ser um ponto de partida para a primeira revelação, no entanto, como sugestão diminua este tempo em 20% para poupar algum tempo e material. A agitação e a temperatura influenciam diretamente no tempo de revelação, portanto devem ser padronizadas para que só o tempo de revelação permaneça como variável a ser determinada.

Depois do filme pronto é necessário fazer um teste com a ponta virgem do filme para determinarmos o tempo padrão para todas as exposições. Com o filme virgem no ampliador fazer uma tira de teste com intervalos de 1 min. A faixa que devemos escolher é a primeira faixa que apresenta um preto total, esta faixa apresenta uma divisão para faixa anterior mas não apresenta qualquer diferença para a posterior.

Cuidado na escolha, pois as diferenças são muito sutis. Observe as tiras de teste devidamente secas em lugar bem iluminado .

Assim que achar o tempo de exposição exponha todas os demais fotogramas sem mexer no ampliador.

Quando estiver tudo seco coloque as tiras em ordem e observe se conseguiu produzir uma escala que corresponda a descrição de cada zona. Caso a zona VI se apresente com as características descritas para a zona VII o filme foi revelado demais, neste caso o tempo desta revelação corresponde a N+1. Nas zonas escuras deve-se observar a zona III que deve apresentar as características descritas para ela, caso apresente características da zona II o filme foi pouco exposto (a ISO escolhida foi alta), caso apresente da IV a ISO escolhida foi baixa.

____________________________________________

Referências Bibliográficas
Artigo original produzido pelo:
Prof. Enio Leite
Focus – Escola de Fotografia & Tecnologia Digital
www.focusfoto.com.br

Artigo enviado por:
David - Site Foto & Grafia
www.fotoegrafia.com.br

Ranyere Nobrega
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Registrado em: Sexta-Feira, 23 de Janeiro de 2004
Mensagens: 7454
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MensagemEnviada: Dom Ago 07, 2005 10:24 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Outra referência sobre esse assunto:
Sistema de Zonas - Parte I - Por Mauricio Po
Fonte: Digiforum
http://digiforum.com.br/viewtopic.php?t=6406

patola
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Registrado em: Domingo, 30 de Mai de 2004
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MensagemEnviada: Dom Ago 07, 2005 11:23 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Ranyere Nobrega, sensacional! =D>

Ranyere Nobrega
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MensagemEnviada: Qua Ago 10, 2005 3:01 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Movido para a Sala Especial

Adeonir
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Mensagens: 639
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MensagemEnviada: Qui Dez 13, 2007 1:26 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Ranyere Nobrega, parabéns... sempre com ótimos artigos. Muito instrutivos.

Thyagorr
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Registrado em: Domingo, 19 de Novembro de 2006
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Localização: Belo Horizonte-MG

 


MensagemEnviada: Sex Dez 21, 2007 9:07 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Ótimo artigo!
Parabéns!!!
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