Registrado em: Quarta-Feira, 18 de Novembro de 2009
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Localização: Recife - PE
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Qua Jul 14, 2010 12:27 am
Às 07 horas da manhã da ultima quarta-feira, dia 07 de julho, 23 voluntários reuniram-se no Palácio do Campo das Princesas em Recife com um objetivo em comum: Levar ajuda e esperança aos desabrigados das enchentes que devastaram diversas cidades do interior de Pernambuco e Alagoas.
Dentre os voluntários estava eu e, na minha mochila, minha D80. Apesar de não ser minha intenção fotografar neste dia pois havia ido para colaborar no trabalho voluntário, pegar a câmera quando saio de casa já se tornou um movimento automático.
Às 08:30h pegamos a estrada. Apesar de a maioria estar se conhecendo naquele momento o clima no ônibus era de grande união, aquela era a primeira incursão de voluntários de Recife às cidades afetadas e todos nós estávamos ali sem saber exatamente o que iríamos fazer, sabíamos apenas que grande parte dos moradores daquelas cidades haviam perdido tudo o que tinham e que todo apoio seria bem-vindo.
Nosso destino: Barreiros, uma das cidades mais afetados no estado de Pernambuco. No caminho passaríamos pelas cidades de Palmares e Água Preta também muito castigadas pelas águas do rio Una.
Logo na entrada de Palmares começamos a ter noção da dimensão da tragédia. O que até então havíamos visto apenas nas imagens na TV, abafadas pela transmissão da Copa do Mundo que roubara a cena e fizera das enchentes um assunto secundário nos noticiários, agora se tornava presente em nossa frente: um cenário de total destruição, ruas que mesmo após duas semanas de limpeza ainda estavam cheias de lama, casas destruídas pela força da águas, pessoa imbuídas em um trabalho de limpeza que parecia interminável procurando salvar o que restara de seus bens.
Neste momento decidi que faria do registro das imagens que estava vendo a minha colaboração. O que aconteceu e a situação pela qual aquelas pessoas estão passando tem que ser divulgada, o Estado não tem condições de, sem a ajuda da população, levar auxílio e reconstruir todas as cidades atingidas em tempo hábil.
Foi esta nossa visão na entrada de Palmares.
Os galhos foram deixados pela água na antena parabólica.
Por onde passávamos muitas casas e estabelecimentos comerciais destruídos .
As margens devastadas do rio Una.
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Em Água Preta os moradores tentam voltar a suas rotinas mas muitos não tem mais suas casas para voltar ao fim do dia.
Em alguns lugares a cidade parece que foi bombardeada.
Às 11:30h chegamos ao campus da UFRPE de Barreiros que está servindo de base para as operações de distribuição dos donativos. Por conta da hora almoçamos primeiro para depois irmos ao trabalho. No refeitório o cardápio era salsicha, feijão, cuscuz, macarrão, arroz e purê.
Soldados do exército carregando o caminhão com donativos.
Fila para receber donativos no campus da UFRPE.
Após o almoço nos dividimos em dois grupos, um foi p/ a rouparia fazer a separação dos donativos e o outro, no qual eu fui escalado, foi para um abrigo no bairro de Tibiri, um dos mais pobres e afetados pela enchente na cidade.
Voluntários recebem orientação para o trabalho.
No caminho para o abrigo mais destruição, essa realidade deixa a todos perplexos.
Nos abrigos divididos por várias famílias, os móveis que conseguiram salvar separam o pouco espaço formando cômodos e corredores. Crianças, adultos e idosos dormem em colchões no chão, apenas um banheiro é dividido por todos e a falta de água potável deixa péssimas as condições de higiene. O lixo se acumula mais rápido que se pode recolher, o esgoto, danificado, corre a céu aberto e as crianças, sem escola, praças ou qualquer outra opção de lazer, brincam em meio a esse lixo e esgoto.
Por toda a cidade quem não teve sua casa atingida está abrigando familiares que perderam as casas. Em uma casa estão muas famílias, totalizando 11 pessoas das quais 3 não estavam, tinham ido visitar um outro parente doente. Em outra casa, a mãe de Leo, deficiente físico com 13 anos de idade, está abrigando a família de sua irmã em sua casa de 3 cômodos.
Entre os voluntários, uma enfermeira e um auxiliar de enfermagem. Eles procuram, com a ajuda dos outros voluntários, prestar os atendimentos possíveis. Os problemas mais frequentes são ferimentos nos pés, infecções intestinais, diarréias e desidratação, estas ultimas fazem das crianças e idosos suas maiores vítimas.
A falta de opções de lazer, principalmente para as crianças, também é um problema a ser enfrentado. O ócio aliado à situação de miséria pode levar à depressão, a humanização dos abrigos é algo imprescindível. Talvez aí estivesse nosso maior desafio: levar um pouco de alegria àquelas pessoas.
Sabendo disto um dos voluntários, o auxiliar de enfermagem militar Severino Vasconcelos, levou uma mala com diversos jogos, livros e fantoches. Todos reuniram-se no pátio externo da igreja que servia de abrigo e após serem passadas algumas noções básicas de higiene, cuidados com o lixo e prevenção de doenças foram improvisadas algumas atividades lúdicas. Com lençóis e toalhas estendidas improvisou-se a cortina para o teatro de fantoches, não demorou nada para as crianças começarem a interagir com os bonecos rindo, gritando, se divertindo como crianças que são. Aquela alegria dos pequenos contagiou também os adultos e logo o todos estavam divertindo-se, nem parecia que estavam naquela situação. Luvas e máscaras descartáveis não usadas, após terminarem os livros levados por Severino, viraram brindes para crianças que iam cantar.
Depois da brincadeira um lanche com pães doces e refriferante.
Nos despedimos com a sensação de dever cumprido e a promessa de voltarmos na semana seguinte. Os sorrisos daquelas pessoas por um instante nos fizeram esquecer o contexto em que nos encontrávamos mas as imagens no caminho de volta à UFRPE para buscar o grupo que ficou na separação dos donativos nos fez voltar à realidade, novamente vimos a o cenário de destruição que se encontra a cidade e crianças como as que deixando sorrindo no abrigo procurando entre os entulhos qualquer coisa que pudessem recuperar.
Equipamento utilizado:
Nikon D80 + Nikkor 18-105 f:3,5-5,6
Também levei a Sigma 70-300 mas esta não saiu da mochila, o SB-26 ficou em casa.
Bom, é isso, pessoal. Perdoem-me o loooongo post mas realmente achei importante cada uma das 53 imagens expostas aqui.
Todas as fotos feitas por mim neste dia foram cedidas para divulgação do programa Operação Reconstrução sem qualquer custo além de tê-las compartilhado com todos os que demonstrem interesse em divulgar a necessidade de voluntários e donativos, esta é minha pequena colaboração. Depois que divulguei as fotos 3 conhecidos meus já se cadastraram como voluntários (que eu saiba) e espero que mais e mais pessoas venham a se cadastrar e divulgar a campanha.
Registrado em: Segunda-Feira, 27 de Agosto de 2007
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Enviada:
Qua Jul 14, 2010 1:07 pm
Esse Brasil existe ....pena que o governo federal não enxerga.....essa gente existe somente na hora de votar. o apoio dos voluntários é a unica salvação dessa gente brasileira, Parabéns pelo registro
Registrado em: Segunda-Feira, 13 de Fevereiro de 2006
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Localização: São Paulo/Capital
Enviada:
Sex Jul 16, 2010 9:41 pm
Parabéns pelo trabalho fotografico e social, são ações deste tipo,que socorrem o povo brasileiro,pois o governo só existe para arrecadar,na forma de impostos e corrupção.E como dai não vão poder tirar nada,estão sempre omissos.
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Registrado em: Sexta-Feira, 9 de Janeiro de 2004
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Localização: São Paulo - SP - Brasil
Eu moro aki! Fundador DigiForum
Enviada:
Seg Jul 19, 2010 7:41 pm
Primeiro desculpas pela demora em lhe autorizar porém temos um monte de falhas a sanar aqui no fórum e se Deus quiser vamos melhorar o sistema das foto-reportagens.
Sem palavras pra descrever a emoção de ter ido a um lugar e ver a situação deste povo sem sair de onde estou, através das suas fotos e narrativas isso foi possível.
Meus parabéns por ajudar como voluntário mas especialmente por meter o pé na lama e trazer a público aquilo que uma minoria de poderosos (inclusive das TVs) não faz questão nenuma de mostrar.
Isso aqui não tem preço gente, saber que vocês ajudaram não só com alimentos, roupas mas com alegria.
Registrado em: Segunda-Feira, 30 de Agosto de 2010
Mensagens: 77
Localização: Sousa
Enviada:
Sáb Set 18, 2010 3:21 pm
Concordo com vc Celso isso não tem preço mesmo ... aqui na PB na cidade Sousa nao foi diferente, muita gente passou por necessidade e perdeu suas casas com os alagamentos que aconteceu aqui ...